Fiz esta apresentação no TwentyThree Summit 2026, a maior conferência do mundo sobre vídeo. A sala estava quase cheia para aquilo que eu tinha avisado ser uma sessão sobretudo técnica, o que tomei como bom sinal.
O argumento é curto. O vídeo é o conteúdo mais difícil de falsificar, o mais caro de produzir, e a coisa menos visível do seu próprio site. Esta última parte tem solução, e não é um problema criativo.
O que mudou
O Google diz agora Ask Google onde dizia Search Google. Não é um acerto de texto. É outra forma de interacção: perguntas mais longas, e multimodais, por isso pode perguntar com a voz ou com uma câmara em vez de palavras.
Vivo no Japão neste momento e ainda não falo japonês. Aponto o telemóvel à ementa de um restaurante e recebo algo que me diz o que me apeteceria comer, a partir daquilo que já sabe sobre mim. Um pouco inquietante. Muito útil. É esta a interface agora.
Entretanto, 900 milhões de pessoas usam o ChatGPT todas as semanas, a crescer duas a três vezes por ano. O mundo não decidiu se ia por aí. Foi.
Porque é que o seu vídeo é invisível
Do espaço que o vídeo ocupa no Google, o YouTube e plataformas semelhantes ficam com cerca de 95%. Sobram 5% para os sites de empresa (BrightEdge, 2025). O Google prefere manter as pessoas na propriedade dele a enviá-las para a sua.
Por baixo disso há um problema mais elementar, e foi o diapositivo de que mais gostei:
O Google não consegue ver. Os LLM não conseguem ouvir. Nenhum deles consegue falar.
O Google é um indexador. Precisa de texto. Sem texto, não sabe o que é o seu ficheiro, por isso não faz nada com ele. Os LLM são piores: querem um bloco de texto que consigam processar, e uma página cujo conteúdo principal é um leitor parece-lhes código. Dizíamos que o Google não lia JavaScript. O Google lê imenso em comparação com aquilo que os LLM conseguem hoje.
Assim, as empresas passam semanas a produzir algo excelente, publicam-no, e o vídeo fica com dez visualizações. Coloque-o antes no YouTube e terá alcance, mas já não controla o canal, nem os contactos, nem a marca.
Os três trabalhos
Tornar o vídeo encontrável. O Google e os LLM conseguem sequer encontrá-lo? Muitas vezes nem sabem que existe.
Tornar o vídeo compreensível. Sabem do que trata, quem o fez, quem fala e para que serve? Um tutorial e uma demonstração de produto são coisas diferentes e não deviam ser descritas da mesma maneira.
Tornar o vídeo fiável. É este que decide tudo. Por mais conteúdo que se produza daqui para a frente, aquilo em que não se confia não será mostrado, mesmo sendo encontrável e compreensível.
O vídeo é prova
Quatro tipos, e é por isso que penso que o vídeo é o activo em que apostar.
Prova de competência. Nada mais lhe dá o valor de um fundador a explicar o próprio produto, ou de um webinar em que alguém responde a objecções em directo. Eu podia escrever um artigo sobre cirurgia cardíaca. Não ficaria posicionado, e nem devia. Assinado por um cirurgião com os artigos e o percurso por trás, é outra coisa. Em câmara, a pessoa já é o validador.
Prova de realidade. Tudo o que foi filmado naquela conferência são pessoas reais num palco. Num mundo em que qualquer pessoa gera um vídeo, isso pesa mais a cada mês, e os fabricantes de câmaras já discutem formas de marcar o material como realmente filmado.
Prova que as plataformas premeiam. O Google já disse que não tem interesse em conteúdo de prateleira. O vídeo dá tanto trabalho que ninguém se propõe a fazer a versão genérica.
Prova que a IA não consegue gerar. Tecnicamente seria possível forjar um webinar com perguntas em directo. Ninguém quer, e a nossa atenção cai no instante em que desconfiamos que algo é sintético, mesmo quando não é.
GEO é 90% SEO
Esta é a frase que mais discussão gerou, e mantenho-a.
76% das citações de IA vêm de páginas que já estão no top dez do Google (Ben Wills / Nectiv). As correlações mais fortes com ser citado pelo ChatGPT são as aparições na pesquisa, a posição e as ligações externas, depois Common Crawl, Wikidata, Reddit e Wikipédia. São as coisas que os SEO recomendam a clientes há vinte anos. Se nem sequer está no Google, trabalhar os LLM é um problema para depois.
O corolário é menos confortável. 65% das pesquisas no Google terminam sem um clique, e os LLM enviam menos de 1% do tráfego para os sites, por desenho: respondem na própria página e mantêm-no lá. Isto não volta atrás.
Mas os cliques que ainda chegam talvez sejam os mais valiosos que alguma vez tivemos. Quando alguém chega até si, já fez a pesquisa. Está perto de uma decisão, não no início de uma exploração. As páginas têm de ser construídas para isso: sinais de confiança, não exploração.
Os atalhos não funcionam
Há uma forma muito gasta de falhar. Os SEO encontram algo que o algoritmo ainda não apanhou, toda a gente se atira, os resultados parecem extraordinários, e o Google acaba com aquilo uns meses depois. Esse ciclo corre há toda a minha carreira.
Alguém estudou 220 sites apresentados como casos de sucesso de “conteúdo com IA”. Metade tinha perdido o tráfego. Pode perfeitamente mostrar à administração um crescimento de dez vezes para a semana. Basta sair da empresa antes de aquilo descer.
O jogo interessante é o da marca e da qualidade. E também é um negócio melhor.
A checklist de GEO e SEO para vídeo
Foi este o diapositivo que toda a gente fotografou. As estrelas marcam por onde começar: pela minha experiência, são os pontos com mais impacto.
1. Encontrável (técnica)
- ★ Páginas dedicadas para cada vídeo
- ★ Schema VideoObject, com miniatura e excertos
- ★ Páginas rastreáveis e indexáveis
- ★ Incorporações compreensíveis para os LLM
- Mapa do site de vídeo na Search Console
- Carregamento diferido dos leitores
- Etiquetas Open Graph
llms.txt, para a pesquisa agêntica
2. Compreensível (conteúdo e intenção)
- ★ Transcrições completas na página
- ★ Title e meta escritos a partir da intenção
- ★ Ligações internas de e para grupos temáticos e páginas pilar
- Oradores, com nome e autoridade
- Capítulos e momentos-chave
- Texto rico em entidades: pessoas, produtos, temas
- Legendas no vídeo
- Um resumo estruturado, escrito como passagens citáveis
- FAQ de cauda longa retiradas das perguntas
3. Fiável (marca)
- ★ Posicionamento claro
- ★ Consistência da mensagem
- ★ Consistência de entidade no seu site, na Wikipédia e nos directórios
- ★ Ligações externas de fontes fiáveis
- Relações públicas e cobertura de imprensa
- Menções pela web: Reddit, fóruns, imprensa do sector
- Excertos para partilhar nas redes
- Casos e testemunhos de clientes
- Vídeo real, pessoas reais
Duas notas sobre esta lista. As ligações internas são o ouro do funcionamento da web, e o primeiro sítio de onde ligar é a sua própria página inicial: no momento em que o faz, já disse ao Google o que interessa. E os LLM funcionam por consenso, cruzando aquilo que diz com aquilo que os outros dizem sobre si, razão pela qual a consistência de mensagem e de entidade está na coluna da confiança e não na da compreensão.
Quase toda a primeira e a segunda coluna estão já integradas na plataforma da TwentyThree. Tenho estado a aconselhá-los nisso.
Um vídeo, muitos activos
Faça a maior parte disto para um único webinar e ele deixa de ser um activo só.
Os LLM usam query fan-outs: pede o melhor software de contabilidade para um hospital, e o sistema estende aquilo a várias pesquisas relacionadas, conforme o que sabe sobre si e sobre onde está. Um vídeo bem exposto responde a várias de uma vez. Uma gravação, muitas portas.
Onde cheguei
As empresas que vencerem serão as mais fáceis de encontrar e de escolher.
Não as que produzirem mais conteúdo. As mais fáceis de encontrar, e as mais fáceis de escolher.
Ofereci à sala uma auditoria gratuita das cinco maiores prioridades de SEO e GEO. A oferta mantém-se: diga-me no que está a trabalhar.


